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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Teologia - A teologia liberal e suas implicações para a fé bíblica

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A teologia liberal
e suas implicações para a fé bíblica
 
 
            Do jeito que as coisas andam em nossos dias, precisamos urgentemente nos libertar da teologia liberal. É espantoso o crescente número de livros (inclusive publicados por editoras evangélicas) que esboçam os ensinamentos deste tipo de teologia ou tecem comentários favoráveis. Embora esta teologia tenha nascido com os protestantes, hoje, porém, seus maiores expoentes são os católicos romanos.

A libertação da teologia liberal não só é necessária como também é vital para a Igreja brasileira, ameaçada pelo secularismo e pelo liberalismo teológico corrosivo.
Apesar das motivações iniciais dos modernistas, suas ideias, no entanto, representaram grave ameaça à ortodoxia, fato já comprovado pela história. O movimento gerou ensinamentos que dividiram quase todas as denominações históricas na primeira metade deste século. Ao menosprezar a importância da doutrina, o modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico, o relativismo moral e a incredulidade descarada. Atualmente, a maioria dos evangélicos tende a compreender a palavra “modernismo” como uma negação completa da fé. Por isso, com facilidade esquecemos que o objetivo dos primeiros modernistas era apenas tornar a igreja mais “moderna”, mais unificada, mais relevante e mais aceitável em uma era caracterizada pela modernidade.

Mas o que caracterizaria um teólogo liberal? O verbete sobre o “protestantismo liberal” do Novo Dicionário de Teologia, editado por Alan Richardson e John Bowden, nos traz uma boa noção do termo. Vejamos três destaques de elementos do liberalismo teológico:

1- É receptivo à ciência, às artes e estudos humanos contemporâneos. Procura a verdade onde quer que se encontre. Para o liberalismo não existe a descontinuidade entre a verdade humana e a verdade do cristianismo, a disjunção entre a razão e a revelação. A verdade deve ser encontrada na experiência guiada mais pela razão do que pela tradição e autoridade e mostra mais abertura ao ecumenismo;
2- Tem-se mostrado simpatia para com o uso dos cânones da historiografia para interpretar os textos sagrados. A Bíblia é considerada documento humano, cuja validade principal está em registrar a experiência de pessoas abertas para a presença de Deus. Sua tarefa contínua é interpretar a Bíblia, à luz de uma cosmovisão contemporânea e da melhor pesquisa histórica, e, ao mesmo tempo, interpretar a sociedade, à luz da narrativa evangélica;
3 - Os liberais ressaltam as implicações éticas do cristianismo. O cristianismo não é um dogma a ser crido, mas um modo de viver e conviver, um caminho de vida. Mostraram-se inclinados a ter uma visão otimista da mudança e acreditar que o mal é mais uma ignorância. Por ter vários atributos até divergentes, o liberal causa alergia para uns e para outros é motivo de certa satisfação, por ser considerado portador de uma mente aberta para o diálogo com posições contrárias.

As grandes batalhas causadas pelo liberalismo foram travadas dentro das grandes denominações históricas. Muitos pastores que haviam saído dos EUA no intuito de se pós-graduarem nas grandes universidades teológicas da Europa, especificamente na Alemanha, em que a teologia liberal abraçava as teorias destrutivas da Alta Crítica produzida pelo racionalismo humanista, acabaram retornando para os EUA completamente descrentes nos fundamentos do cristianismo histórico. Os liberais, devido à tolerância inicial dos fiéis para com a sã doutrina, tiveram tempo de fermentar as grandes denominações e conseguiram tomar para si os grandes seminários, rádios e igrejas, de modo que não sobrou outra alternativa para grande parte dos fundamentalistas senão sair dessas denominações e se organizar em novas denominações. Daí surgiram os Batistas Regulares (que formaram a Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares, em 1932), os Batistas Independentes, as Igrejas Bíblicas, as Igrejas Cristãs Evangélicas, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (em 1936, que mudou seu nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa), a Igreja Presbiteriana Bíblica (em 1938), a Associação Batista Conservadora dos Estados Unidos (em 1947), as Igrejas Fundamentalistas Independentes dos Estados Unidos (em 1930) e muitas outras denominações que existem ainda hoje.

Podemos dizer que algumas das características do cristianismo ortodoxo se baseiam nos seguintes pontos:
• Manter fidelidade incondicional à Bíblia, que é inerrante, infalível e verbalmente inspirada;
• Acreditar que o que a Bíblia diz é verdade (verdade absoluta, ou seja, verdade sempre, em todo lugar e momento);
• Julgar todas as coisas pela Bíblia e ser julgado unicamente por ela;
• Afirmar as verdades fundamentais da fé cristã histórica: a doutrina da Trindade, a encarnação, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório, a ressurreição física, a ascensão ao céu, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, o novo nascimento mediante a regeneração do Espírito Santo, a ressurreição dos santos para a vida eterna, a ressurreição dos ímpios para o juízo final e a morte eterna e a comunhão dos santos, que são o Corpo de Cristo.
• Ser fiel à fé e procurar anunciá-la a toda criatura;
• Denunciar e se separar de toda negativa eclesiástica dessa fé, de todo compromisso com o erro e de todo tipo de apostasia;
• Batalhar firmemente pela fé que foi concedida aos santos.

Contudo, o liberalismo, em sua apostasia, nega a validade de quase todos os fundamentos da fé, como, por exemplo, a inerrância das Escrituras, a divindade de Cristo, a necessidade da morte expiatória de Cristo, seu nascimento virginal e sua ressurreição. Chegam até mesmo a negar que existiu realmente o Jesus narrado nas Escrituras. A doutrina escatológica liberal se baseia no universalismo (todas as pessoas serão salvas um dia e Deus vai dar um jeito até na situação do diabo) e, conseqüentemente, para eles, não existe inferno e muito menos o conceito de pecado. O liberalismo é um sistema racionalista que só aceita o que pode ser “provado” cientificamente pelos próprios conhecimentos falíveis, fragmentados e limitados do homem.
Os primeiros estudiosos que aplicaram o método histórico-crítico sem critérios ao estudo das Escrituras negavam que a Bíblia fosse, de fato, a Palavra de Deus inspirada. Segundo eles, a Bíblia continha apenas a Palavra de Deus.

O liberalismo teológico tem procurado embutir no cristianismo uma roupagem moderna: pegam as últimas idéias seculares e, sorrateiramente, espalham no mundo cristão. J.G. Machem, em seu livro Cristianismo e liberalismo, trata deste assunto com maestria. Na contracapa, podemos ver uma pequena comparação entre o cristianismo e o liberalismo: “O liberalismo representa a fé na humanidade, ao passo que o cristianismo representa a fé em Deus. O primeiro não é sobrenatural, o último é absolutamente sobrenatural. Um é a religião da moralidade pessoal e social, o outro, contudo, é a religião do socorro divino. Enquanto um tropeça sobre a ‘rocha de escândalo’, o outro defende a singularidade de Jesus Cristo. Um é inimigo da doutrina, ao passo que o outro se gloria nas verdades imutáveis que repousam no próprio caráter e autoridade de Deus”.
Muitos, por buscarem aceitação teológica acadêmica, têm-se comprometido fatalmente, pois, na prática, os liberais tentam remover do cristianismo todas as coisas que não podem ser autenticadas pela ciência. Sempre que a ciência contradiz a Bíblia, a ciência é preferida e a Bíblia, desacreditada.
Hoje, a animosidade que demonstram para com a Bíblia tem caracterizado aqueles que crêem que ela é literalmente a Palavra de Deus e inerrante (sem erros em seus originais) como “fundamentalistas”.1  Ora, podemos por acaso negociar o inegociável?

Os liberais acusam os evangélicos de transformar a Bíblia em um “papa de papel”, ou seja, em um ídolo. Com isso, culpam os evangélicos de bibliolatria.2  Estamos cientes de que tem havido alguns exageros por parte de alguns fundamentalistas evangélicos, mas a verdade é que os “eruditos” liberais têm-se mostrado tão exagerados quanto muitos do que eles denominam de fundamentalistas. Teoricamente falando, a maioria dos liberais acredita em Deus, supondo que Ele pode intervir na história da humanidade, porém, na prática, e com freqüência, mostram-se muito mais deístas.3  Normalmente, os liberais também favorecem o “relativismo”, ou seja, difundem que no campo da verdade não há absolutos. Segundo este raciocínio, se não há verdades absolutas, então, as verdades da Bíblia (que são absolutas) são relativas, logo, não podem ser a Palavra de Deus. Tendo rejeitado a Bíblia como a infalível Palavra de Deus e aceitado a idéia de que tudo está fluindo, o teólogo liberal afirma que não é segura qualquer idéia permanente a respeito de Deus e da verdade teológica.
Levando o pensamento existencialista às últimas conseqüências, conclui-se que: se quisermos que a Bíblia tenha algum valor para a modernidade e fale ao homem moderno, temos de criar uma teologia para cada cultura, para cada contexto, onde nenhum ensino é absoluto, mas relativo, variando conforme o contexto sociocultural. Obviamente, tal pensamento possui fundamento em alguns pontos, mas daí ao radicalismo de pregar que nada é absoluto, isso já extrapola e fere diversos princípios bíblicos.
 
Raízes
O liberalismo teológico começou a florescer de forma sistematizada devido à influência do racionalismo de Descartes e Spinoza, nos séculos 17 e 18, que redundou no iluminismo.4  O liberalismo opunha-se ao racionalismo extremado do iluminismo.
           
Na verdade, quando a igreja começa a flertar com o liberalismo e se render aos seus interesses, ela perde sua autoridade e deixa de ser embaixadora de Deus. A história tem provado que onde o liberalismo teológico chega a Igreja morre. Este é um aviso solene que deve estar sempre trombeteando em nossos ouvidos.

A baixa crítica

Conforme Gleason L. Archer Jr, “a ‘baixa crítica’ ou crítica textual se preocupa com a tarefa de restaurar o texto original na base das cópias imperfeitas que chegaram até nós. Procura selecionar as evidências oferecidas pelas variações, ou leituras diferentes, quando há falta de acordo entre os manuscritos sobreviventes, e pela aplicação de um método científico chegar àquilo que era mais provavelmente a expressão exata empregada pelo autor original”.5  

A alta crítica

J. G. Eichhorn, um racionalista germânico dos fins do século 18, foi o primeiro a aplicar o termo “alta crítica” ao estudo da Bíblia. E, por esse motivo, ele tem sido chamado de “o pai da crítica do Antigo Testamento”. Segundo  R. N. Champlin, “a ‘alta crítica’ aponta para o exame crítico da Bíblia, envolvendo qualquer coisa que vá além do próprio texto bíblico, isto é, questões que digam respeito à autoria, à data, à forma de composição, à integridade, à proveniência, às idéias envolvidas, às doutrinas ensinadas, etc. A alta crítica pode ser positiva ou negativa em sua abordagem, ou pode misturar ambos os pontos de vista”.6  Mas o que temos visto na prática é que esta forma de crítica tem negado as doutrinas centrais da fé cristã, em nome da ciência, da modernidade e da razão. O que fica evidente é que alguns críticos partem com o intuito de desacreditar a Bíblia, devido a alguns pressupostos naturalistas, chegando ao cúmulo de dizer que a Igreja inventou Jesus.

Conforme Norman Geisler “a alta crítica pode ser dividida em negativa (destrutiva) e positiva (construtiva). A crítica negativa, como o próprio nome sugere, nega a autenticidade de grande parte dos registros bíblicos. Essa abordagem, em geral, emprega uma pressuposição anti-sobrenatural”.7  
Métodos aplicados a qualquer tipo de literatura passaram a ser aplicados também à Bíblia, com grandes doses de ceticismo (no que diz respeito à validade histórica e à integridade de seus livros), com invenções de entusiastas que tinham pouca base nos fatos históricos. Assim, onde vemos nas narrativas da Bíblia fatos sobrenaturais esta teologia lhes confere interpretações naturais, retirando da Palavra de Deus todas as intervenções miraculosas. Claramente é impróprio, ou mesmo blasfematório, nos colocarmos como juízes sobre a Bíblia.

Penosamente, a “alta crítica” tem empregado uma metodologia faltosa, caindo em alguns pressupostos questionáveis. E, devido aos seus resultados, ultimamente vem sendo descrita como “alta crítica destrutiva”.  (para melhor compreensão, veja o quadro comparativo acima)8
C. S. Lewis, sem dúvida o apologista cristão mais influente do século 20, em seu artigo “A teologia moderna e a crítica da Bíblia”, tece os seguintes comentários:
 “Em primeiro lugar, o que quer que esses homens possam ser como críticos da Bíblia, desconfio deles como críticos9  [...] Se tal homem chega e diz que alguma coisa, em um dos evangelhos, é lendária ou romântica, então quero saber quantas lendas e romances ele já leu, o quanto está desenvolvido o seu gosto literário para poder detectar lendas e romances, e não quantos anos ele já passou estudando aquele evangelho1 0 [...] os críticos falam apenas como homens; homens obviamente influenciados pelo espírito da época em que cresceram, espírito esse talvez insuficientemente crítico quanto às suas próprias conclusões1 1 [...] Os firmes resultados da erudição moderna, na sua tentativa de descobrir por quais motivos algum livro antigo foi escrito, segundo podemos facilmente concluir, só são ‘firmes’ porque as pessoas que sabiam dos fatos já faleceram, e não podem desdizer o que os críticos asseguram com tanta autoconfiança”.1 2

Prove e veja

Na Universidade de Chicago, Divinity School, em cada ano eles têm o que chamam de “Dia Batista”, quando cada aluno deve trazer um prato de comida e ocorre um piquenique no gramado. Nesse dia, a escola sempre convida uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para palestrar sobre algum assunto relacionado ao ambiente acadêmico.
Certo ano, o convidado foi Paul Tillich,1 3 que discursou, durante duas horas e meia, no intuito de provar que a ressurreição de Jesus era falsa. Questionou estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que não existiam provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja caía por terra, porque estava baseada num relacionamento com um Jesus que, de fato, segundo ele, nunca havia ressurgido literalmente dos mortos.

Ao concluir sua teoria, Tillich perguntou à platéia se havia alguma pergunta, algum questionamento. Depois de uns trinta segundos, um senhor negro, de cabelos brancos, se levantou no fundo do auditório: “Dr Tillich, eu tenho uma pergunta, ele disse, enquanto todos os olhos se voltavam para ele. Colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer... Dr Tillich... crunch, munch... minha pergunta é muito simples... crunch, munch... Eu nunca li tantos livros como o senhor leu... crunch, munch... e também não posso recitar as Escrituras no original grego... crunch, munch... Não sei nada sobre Niebuhr e Heidegger... crunch, munch... [e ele acabou de comer a maçã] Mas tudo o que eu gostaria de saber é: Essa maçã que eu acabei de comer... estava doce ou azeda?

“Tillich parou por um momento e respondeu com todo o estilo de um estudioso: ‘Eu não tenho possibilidades de responder essa questão, pois não provei a sua maçã’.
“O senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente: ‘O senhor também nunca provou do meu Jesus,  e como ousa afirmar o que está dizendo?”. Nesse momento, mais de mil estudantes que estavam participando do evento não puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a platéia e, rapidamente, deixou o palco”.

É essa a diferença!

É fundamental considerar que tudo o que engloba a fé genuinamente cristã está amparado em um relacionamento experimental (prático) com Deus. Sem esse pré-requisito, ninguém pode seriamente afirmar ser um cristão. Seria muito bom se os críticos se atrevessem a experimentar este relacionamento antes de tecerem suas conjeturas. Se assim fosse, certamente se lhes abriria um novo horizonte para suas proposições e, quem sabe, entenderiam que o sobrenatural não é uma brecha da lei natural, mas, sim, uma revelação da lei espiritual.
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Notas
 
1 O fundamentalismo foi um movimento surgido nos Estados Unidos durante e imediatamente após a 1ª Guerra Mundial, a fim de reafirmar o cristianismo protestante ortodoxo e defendê-lo contra os desafios da teologia liberal, da alta crítica alemã, do darwinismo e de outros pensamentos considerados danosos para o cristianismo.
2 Adoração à Bíblia.
3 Segundo a comparação clássica entre Deus e o fabricante de um relógio, Deus, no princípio, deu corda ao relógio do mundo de uma vez para sempre, de modo que ele agora continua com a história mundial sem a necessidade de envolvimento da parte de Deus.
4 O Iluminismo enfatizava a razão e a independência e promovia uma desconfiança acentuada da autoridade. A verdade deveria ser obtida por meio da razão, observação e experiência. O movimento foi dominado pelo anti-sobrenaturalismo e pelo pluralismo religioso.
5 ARCHER, Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? Edições Vida Nova, p.54.
6 CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol 1. Candeia, p. 122.
7 GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Editora Vida, p.113.
8 Ibid. p. 116.
9 MCDOWELL, Josh. Evidência que exige um veredicto. Vol 2. Editora Candeia, p.522.
10 Ibid., p.526.
11 Ibid., p.526.
12 Ibid., p.528.
13 Paul Tillich nasceu em 20 de agosto de 1886, em Starzeddel, na Prússia Oriental, perto de Guben. Foi um teólogo-filósofo e representante do existencialismo religioso.  
* matéria colhida na revista Defesa da Fé.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Bíblia Sagrada - Os Métodos, o Caráter e as Habilidades do Apóstolo Paulo

Os Métodos, o Caráter e as Habilidades do Apóstolo Paulo

Paulo foi um missionário sábio e dedicado. Escolhido por Deus para um ministério específico (At 9:15). A sua vida tem sido exemplo para a igreja no cumprimento da grande comissão (Mt 28:19; Mc 16:15).  Ele é visto por muitos como o maior missionário de todos os tempos. Usava sempre áreas que poderiam ser alcançadas a partir de centros estratégicos. Fazia discípulos e os encaminhava para novas frentes missionárias em regiões e cidades distantes.  Como se verificou em Colossos, onde enviou Epafras que fundou a igreja naquele local.
Ao fundar uma Igreja, o apóstolo Paulo a organizava com presbíteros e diáconos, com a finalidade de dar prosseguimento à obra, após a sua partida.
Ele procurava sempre se colocar sobre fundamentos sólidos. Quando se deslocava para um determinado lugar para pregar, somente o fazia, com plena convicção de que era a vontade de Deus. Muitas vezes deixou de se dirigir a determinadas localidades, para evitar construir sobre fundamento alheio, uma vez que Jesus já havia sido anunciado por outros pregadores (Rm. 15:20). Paulo era muito consciente. Sua dependência do Espírito Santo se evidenciou claramente tanto nos textos de Atos dos Apóstolos, como em suas próprias Epístolas (At 13:2-4; 16:6-7). Paulo sempre voltava às igrejas por ele organizadas, para encorajá-las e fortalecê-las (At 15:36). Ensinava que a igreja devia estar constantemente propagando o Evangelho.
Os métodos, utilizados pelo Apóstolo Paulo, fazia com que alcançasse êxito em seu ministério. Paulo usava sabiamente de todos os artifícios para ganhas vidas para Cristo (I Co 9:19-23). Usava os grandes centros; preparava líderes; pesquisava a situação de cada local; se identificava com as pessoas; pregava de casa em casa; se auto-sustentava e era flexível no trato com os problemas (At 20:17-21; 33-34). Um fato muito marcante no caráter de Paulo, é que ao conhecer determinada cultura, ele se utilizava astutamente para falar as pessoas que ele evangelizava, como foi no caso do Aerópago de Atenas. Paulo sabia que os Atenienses eram supersticiosos, e destacou esta particularidade, para a introdução de sua mensagem, se utilizando inclusive do próprio título de um santuário grego “...ao Deus desconhecido” (At 17:22-23). Muitas vezes se utilizou do argumento de ser Cidadão Romano para se defender diante de seus perseguidores (At 22:25-29).  Ao ser preso em Jerusalém sob a acusação de profanar o Templo, Paulo passando pelo tribuno perguntou-lhe se era permitido dizer-lhe alguma coisa, o que causou espanto no tribuno que não esperava que ele soubesse grego. Paulo conhecia profundamente o grego. Logo em seguida, ele pediu para falar ao povo e falou em hebraico (At 21:37-40). Se utilizava de uma retórica muito bem embasada nos conhecimentos do Antigo Testamento, como profundo conhecedor da Lei que era (At 17:2, 17-19; 19:8-10; 23:6).
Paulo não se contentava tão somente em pregar, mas também lutava pela pureza da doutrina cristã que ele chamou de sã doutrina. Ele orientava, exortava, e doutrinava as igrejas à luz dos ensinos de Jesus, a viverem uma vida de santidade (At 14:22-23; 20:31-36; II Cor. 11:2).
Paulo enfrentou também, o gnosticismo incipiente que permeava as igrejas. Em Colossos, ele enfrentou a tendência racionalista, que levava a igreja à heresia. Estava de continuo se comunicando com as igrejas através de correspondências com o propósito de corrigir as suas falhas e imperfeições.
Teologicamente, Paulo, interpretou de maneira singular o significado da vida, morte e ressurreição de Cristo. Ele pregou uma fé livre da introdução do legalismo e do racionalismo. O autor Roland Allen, em seu livro “Métodos Missionários: os de Paulo ou os Nossos?, resumiu muito bem a obra de Paulo: “Em pouco menos de dez anos, Paulo estabeleceu a igreja em quatro províncias do Império: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia. Antes de 47 A.D. não havia igrejas nessas províncias. Em 57 A.D. Paulo já se reportava a sua obra nestes locais como se já estivesse totalmente concluída. É importante notar que estas igrejas foram fundadas com tanta rapidez e segurança, diante das dificuldades, incertezas e fracassos do primeiro século (II Co 11:24-28). Muitos missionários realizaram obras fantásticas para o reino de Deus. Contudo o apóstolo Paulo foi o único que, além de estabelecer igrejas em suas diversas viagens missionárias, tinha também o cuidado de visitá-las para ver como estavam. Ele também se comunicava com estas igrejas e com os seus filhos na fé, como Tito, Timóteo e Filemon. Exortava-os a zelar pela sã doutrina do Evangelho de Cristo (Gl 4:19).   
O ministério profícuo do apóstolo Paulo é um exemplo para a Igreja Cristã tanto no passado, como no presente e no porvir. Que possamos ter a ousadia de nos tornarmos semelhantes a ele, como bem disse: “...sede meus imitadores assim como eu sou de Cristo” (I Co 11:1; Fil 3:17



Bíblia Sagrada - ROMA – "A CIDADE ETERNA"

ROMA – "A CIDADE ETERNA"
INFORMAÇÕES HISTÓRICAS E GEOGRÁFICAS
Localização – Roma está localizada no continente europeu, na região central da península Apenina ou Itálica, que hoje corresponde ao território italiano. Nos primórdios da história romana, não existia um país chamado Itália. A península era ocupada por várias cidades-estado independentes.
Fundação – A cidade foi fundada em 735 a.C. às margens do rio Tibre, sobre 7 colinas. Sua origem está envolta em lendas. A principal está relacionada às figuras dos irmãos Rômulo e Remo, os quais teriam sido amamentados por uma loba. Outra versão nos informa que naquela região foi montado um posto militar dos povos do norte com o objetivo de resistir às invasões dos povos do sul, principalmente dos etruscos. Esse posto teria dado origem à cidade de Roma.
Formação da população – os povos latinos, sabinos, e até mesmo os etruscos participaram da formação inicial da população romana. Posteriormente, outras etnias se introduziram no processo.
Organização social – A população romana, já nos seus primeiros séculos, dividiu-se em classes: patrícios, plebeus, clientes e escravos. Patrícios eram os nativos da cidade, os quais estavam ligados às famílias tradicionais (gens). Eram os donos da terra, possuíam cidadania e status de nobreza. Tais famílias se organizavam em "cúrias" que, por sua vez, formavam as tribos. Daí vinham os membros do senado e o rei.
Os plebeus constituíam a classe popular, a plebe. Eram aqueles indivíduos sem raízes hereditárias entre as famílias importantes. Normalmente eram imigrantes e não possuíam nenhum direito à terra. Contudo, exerciam alguma atividade que lhes garantia uma renda. Portanto, pagavam impostos. Os clientes eram aqueles indivíduos que ocupavam um pedaço de terra de um patrício e, em troca, devia-lhe determinado pagamento. Os escravos eram aqueles que, por motivo de dívida ou de guerra, tornavam-se propriedade dos patrícios. De uma mistura de lenda e história vem a tradição de que Roma teve 7 reis. A monarquia acabou quando os próprios patrícios se ressentiram da tirania do poder real. Inicia-se então a república romana.
Com o passar dos séculos, a plebe cresceu demasiadamente. Muitos plebeus se tornavam escravos por não poderem quitar seus compromissos financeiros. Desse modo, a classe dos escravos também crescia. Os menos favorecidos eram então a maioria da população. Nesse tempo, os patrícios controlavam o Estado, tomando todas as decisões como bem lhes parecia. Muitos indivíduos da plebe prosperaram por suas atividades comerciais ou por sua participação no exército. Muitas atividades indispensáveis eram desempenhadas por essa classe sem, contudo, terem direito à cidadania. Explode então a luta de classes em Roma. Em 494 a.C., os plebeus resolvem abandonar Roma. Eles saem da cidade, deixando os patrícios sem proteção e serviços. Diante disso, e vendo sua dependência, os patrícos resolvem dar direitos aos plebeus, os quais passaram a ter representantes eleitos na Assembléia. Exigiram também a elaboração de leis escritas pois, até então, só havia leis orais em Roma e mudavam de acordo com a vontade dos patrícios.
Império Romano – Tendo formado um poderoso exército, Roma conquistou toda a península itálica, a Espanha, Portugal, Sicília, e todas as nações em volta do Mar Mediterrâneo. Forma-se então o Império Romano. Roma se torna a "capital do mundo", dominando sobre povos de diversas nacionalidades, línguas, religiões e costumes.
Guerra, riqueza, e desenvolvimento – As guerras de conquista aumentaram excessivamente a riqueza romana através do espólio das outras nações. Todo esse poderio econômico proporcionou um desenvolvimento muito grande na cidade. As famílias ricas passaram a contratar professores gregos para seus filhos. Além disso, muitos literatos e artistas gregos se deslocavam para Roma. Comerciantes de várias nacionalidades iam morar em Roma ou fazer ali os seus negócios. Desenvolveu-se então a literatura, a engenharia, a arquitetura e as artes. Nesse tempo, a cidadania romana já não estava restrita aos patrícios. Ser cidadão já não dependia apenas da hereditariedade mas se tornara uma questão financeira.
As construções romanas – Até hoje, o que mais impressiona o visitante de Roma são suas edificações. Entre elas podemos destacar:
  • O Panteon, onde se encontravam os deuses romanos;
  • O Coliseu, grande estádio onde se realizavam as lutas entre os gladiadores e onde muitos cristãos foram lançados às feras.
  • Os aquedutos – canais que conduziam água das montanhas para as cidades.
  • Os relevos – esculturas feitas sobre monumentos.
  • Além disso, podemos citas os templos, palácios, monumentos (ex.: arcos), estátuas, castelos, e as estradas que ligavam Roma a todas as partes do Império.
As obras romanas foram muito influenciadas pelo estilo grego. Contudo, os romanos eram mais realistas. Enquanto que os gregos faziam monumentos em homenagem às figuras mitológicas, os romanos honravam pessoas reais, principalmente seus heróis de guerra e seus governantes.
As catacumbas – eram buracos cavados em volta da cidade para extração de areia. Eram tão profundos que acabavam formando túneis e galerias. Na época da perseguição, os cristãos se escondiam nesses lugares e ali milhares deles morreram e ficaram sepultados.
Religião
Politeísmo – Desde a antigüidade, a religião romana se caracterizava pela adoração a diversos deuses. Inclusive, chegaram a adorar muitas divindades da mitologia grega.
Culto aos antepassados – As famílias tradicionais adoravam seus próprios ancestrais em seus cultos domésticos.
Culto ao imperador – Estabelecido por Augusto, o culto ao governante tornou-se parte da religiosidade romana.
Cristianismo clandestino – O cristianismo entrou em Roma sem reconhecimento oficial. A recusa dos cristãos em relação ao culto ao imperador foi um dos motivos que deflagraram a perseguição. Após ter incendiado Roma, o imperador Nero acusou os cristãos. Este foi um dos momentos de maior perseguição. Segundo a tradição católica, nessa ocasião Paulo e Pedro foram mortos naquela cidade.
Cristianismo oficial – A partir do governo de Constantino, o cristianismo foi autorizado. Algum tempo depois, o imperador Teodósio tornou o cristianismo religião oficial do Império. As práticas religiosas antigas passaram a ser proibidas. Contudo, continuaram a existir no campo, nas regiões afastadas dos centros urbanos. Com isso, entrou no vocabulário religioso o termo "pagão" que significa "do campo".
Referências bíblicas a Roma: A bíblia se refere a Roma em Atos, Romanos e II Timóteo. Existem comentaristas que interpretam a "Babilônia" de I Pedro 5.13 como sendo a cidade de Roma. Bem maior é o número dos que tem essa interpretação com relação à "Babilônia" do Apocalipse (cap.17 etc.). O texto fala de uma mulher sobre 7 montes e embriagada com o sangue dos seguidores de Jesus. Com efeito, quando João escreveu aquele livro, muitos cristãos já tinham sido mortos em Roma, a cidade das 7 colinas.
Influência romana – Roma marcou a história da humanidade e até hoje carregamos suas influências em diversas áreas. Alguns exemplos: o direito romano, o estilo artístico, o calendário, os algarismos, o catolicismo, etc. Este último, com sua estrutura de domínio mundial, nos faz lembrar o antigo Império.
A IGREJA EM ROMA
Fundação : Em sua epístola, Paulo deixa claro que ainda não conhecia Roma. Logo, a igreja ali não foi por ele fundada. Entendemos que Pedro também não participou desse processo pois, se este ou outro apóstolo fosse responsável por aquela igreja, Paulo não escreveria uma carta doutrinária para aqueles irmãos. Por outro lado, se Pedro estivesse em Roma, o mesmo teria sido mencionado nas saudações do último capítulo. Ambrosiastro, escritor do século IV disse: "Os romanos abraçaram a fé em Cristo sem ver nenhum sinal de obras poderosas e nenhum dos apóstolos." No século II surgiu a tradição segundo a qual Pedro teria exercido ministério em Roma. No século IV iniciou-se a tradição de que ele teria sido o 1o bispo romano. Quem então teria fundado aquela igreja? De fato, isso não tem grande importância, mas sempre gostamos de ter um nome para a atribuição das honras. É isso que fomenta o surgimento das tradições. Uma das hipóteses mais prováveis é que a igreja tenha sido fundada no ano 30 pelos judeus de Roma que estiveram em Jerusalém no Pentecostes – At.2.10,11.
A colônia judaica em Roma - Desde a conquista de Jerusalém por Pompeu no ano 63 a.C., muitos judeus foram morar em Roma. No governo de Cláudio foram expulsos – (At.18.2). A ordem foi revogada por Nero poucos anos depois. Quando Paulo chegou a Roma, no ano 60 (At.28) ele encontrou judeus que ali residiam. (É bom lembrar que o envio da epístola é anterior a essa "visita").
A igreja em Roma era composta de judeus e principalmente gentios. Na epístola, Paulo fala aos judeus e aos gentios de forma específica e direta alternadamente (Rm.1.5-7,13; 2.17-24). Sendo pessoas de origens, tradições e costumes tão distintos, era natural que a convivência entre eles apresentasse suas dificuldades. O apóstolo procura tratar dessa questão no capítulo 14.
A EPÍSTOLA AOS ROMANOS
"O EVANGELHO SEGUNDO PAULO" (RM.2.16)
Autor: Apóstolo Paulo
Escritor: Tércio – Rom.16.22.
Data – Ano 58 – entre 53 e 58 (3ª viagem missionária).
Local – Corinto.
Portadora – Febe – (Rm.16.1-2).
Tema- O evangelho de Cristo
Texto chave: 1.16 e 5.1
Classificação: soteriologia (doutrina da salvação).
A epístola de Paulo aos Romanos é uma obra prima da teologia cristã, destacando-se entre os livros do Novo Testamento. É um tratado teológico sobre a salvação. Lutero chegou a dizer: "Se tivéssemos de preservar somente o evangelho de João e a epístola aos Romanos, ainda assim o cristianismo estaria a salvo."
A carta nos apresenta um resumo da bíblia e da história humana sob o ponto de vista teológico. O autor menciona Adão (5.14), Abraão (4.13), Moisés (5.14), Israel (11.25), o Velho Testamento (1.2), Jesus (10.9), a salvação (10.9), a igreja (16.1), o juízo (2.16) e a glorificação dos salvos (8.30). Esses versículos são apenas alguns exemplos dentre tantos que mencionam tais temas e pessoas.
Objetivo de Paulo - Paulo queria expor aos romanos seu entendimento a respeito do evangelho e prepará-los para sua futura visita, quando estivesse a caminho da Espanha. (Rm.15.22-24).
ESBOÇO (RM.)
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (16-17).
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências.
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21.
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício de Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
V - A soberania divina – 9 a 11.
Judeus e gentios no plano de Deus.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
O serviço cristão.
V – Conclusão – 15.14 a 16.27.
Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.
COMENTÁRIO
Deve-se observar a organização de Paulo. A carta apresenta um desenvolvimento em uma seqüência bem ordenada. Temos: Introdução, histórico, ilustração (Abraão), teoria e exemplos de aplicação prática.
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (1.1, 16-17).
As cartas antigas eram iniciadas com três elementos: identificação do remetente, identificação do destinatário e saudação. Vemos isso na epístola aos Romanos. Paulo se apresenta de forma humilde, como servo, chamado para o apostolado e separado para o evangelho. Desse modo, a autoria fica bem definida. Os destinatários são claramente indicados no verso 7. No próprio verso 1, o tema já surge: "o evangelho de Deus". A partir desse ponto, o autor pára de falar de si mesmo e passa a discorrer sobre a trindade, destacando o Filho. O Pai é mencionado nos versos 1, 2 e 7. O Espírito Santo é mencionado no verso 4. Jesus é mencionado em vários versículos, pois ele é o personagem principal no tema escolhido.
Em sua introdução, Paulo apresenta o vínculo entre a história, a humanidade e a divindade. O elemento histórico é o rei Davi. A questão humana é a descendência carnal de Cristo. O elemento divino é a declaração da sua filiação divina. Esta abordagem demonstra que o evangelho de Deus está cravado no contexto humano de forma historicamente comprovada. O ápice da apresentação do tema se dá nos versos 16 e 17.
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências (condenação e morte).
No desenvolvimento da epístola, Paulo vai falar do evangelho, mas os romanos poderiam perguntar: para quê evangelho? O apóstolo, em sua excelente organização literária, vai demonstrar aos seus leitores os fatores que evidenciam a necessidade que os homens têm do evangelho. Este seria apresentado como um "remédio", mas, para isso, torna-se imperioso que a "doença" seja diagnosticada. Isto é feito de forma magistral pelo "doutor" Paulo. Nesse momento ele quer despertar a consciência dos romanos, então chama a atenção para práticas pecaminosas tais como a idolatria (1.23-25), o homossexualismo (1.27), a prostituição, o homicídio, e uma lista que inclui até à desobediência aos pais (1.29-31).
Os romanos eram a elite política do império. Os judeus eram a elite religiosa, pelo menos para si mesmos. Os gregos eram a elite cultural. Eles poderiam se considerar acima das questões apontadas por Paulo. Entretanto, o autor apresenta, de forma contundente, a universalidade do pecado. Ao citar gentios, judeus, bárbaros, romanos, gregos, sábios e ignorantes, ele não deixa ninguém de fora da sua abordagem (1.13-16). Isso se evidencia de forma definitiva no capítulo 3, onde lemos: "Não há um justo sequer", (3.10). "Toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus" (3.19). "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (3.23).
O pecado é, em si mesmo, maligno. Contudo, muitas vezes só conseguimos ver essa malignidade através das suas conseqüências. É como uma doença que só é notada e sentida quando surgem os sintomas. Contudo, a doença é muito mais profunda do que os sintomas. As conseqüências do pecado são diversas e se apresentam nas mais variadas esferas da vida humana. Contudo, os piores efeitos são: a morte, que é o salário do pecado (6.23), e a condenação divina (3.19). Se a morte fosse o fim, tudo estaria então resolvido. Porém, o pior vem depois. Conforme diz a epístola aos Hebreus, depois da morte vem o juízo (Hb.9.27).
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício de Cristo.
Fazendo um exame mais profundo, Paulo vai explicar como o pecado entrou na história humana. Após ter diagnosticado a "doença", o autor vai buscar sua causa. Então, ele menciona Adão, como sendo o primeiro pecador humano. Na condição de representante da humanidade, o primeiro homem passou a natureza pecaminosa a todos os homens. Novamente, a universalidade do pecado está evidente (3.23). Para o alívio dos leitores, não só o pecado é universal, mas também o amor de Deus possui a característica da universalidade. Já no capítulo 1 o autor diz que os destinatários são "amados de Deus". Afinal, o amor de Deus é o pressuposto fundamental do evangelho, conforme se observa em João 3.16.
Paulo não se limita a mostrar o problema humano e suas conseqüências. Afinal, mostrar o problema é muito fácil e muitos estão fazendo isso a todo tempo. As religiões, as ciências humanas e os meios de comunicação estão mostrando o pecado humano e suas conseqüências diariamente, embora utilizem outros nomes para tudo isso. O tema da epístola aos Romanos é o evangelho e o objetivo do evangelho é a salvação (1.16), e não o enriquecimento material dos convertidos. Depois que o homem está convencido do seu pecado e da respectiva condenação, a salvação se torna muito interessante. Mas, como ela ocorre? E por quais meios? Faz parte do evangelho a resposta a essas questões. E Paulo se dedica a explicar o método divino para a salvação do homem.
A salvação não ocorre por meio das obras e nem através da lei. Os mandamentos da lei são santos, justos e bons (Rm.7.12), porém não salvam. A lei serve para mostrar o pecado e determinar a condenação. Mostrando o pecado, a lei é útil. Porém, não salva. A lei serve para mostrar ao homem a necessidade que ele tem da obra de Jesus Cristo. Tal obra foi o seu sacrifício na cruz, sua morte. Entretanto, tal obra não tem efeito automático. Se assim fosse, toda a humanidade estaria salva a partir do momento em que Cristo expirou. Ao sacrifício de Cristo deve ser aplicada a , pois a salvação é para "todo aquele que crê" (Rm.1.16).
A fé no sacrifício de Jesus produz a justificação. Conforme diz Paulo: "sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo." (Rm.5.1). Justificação é o ato divino de nos declarar justos. Voltando a Romanos 3.10, temos as palavras de Paulo dizendo: "Não há um justo sequer."
No capítulo 5, este problema está resolvido, pois Deus nos declara justos pelos méritos de Cristo. Por natureza, não somos justos, mas pela graça de Deus somos, pois a justiça de Jesus nos é imputada. "Imputar", de acordo com o dicionário Aurélio, significa "aplica um pagamento a determinada dívida". Podemos entender a imputação como um crédito aplicado a uma conta corrente. Paulo disse que Abraão creu e sua fé lhe foi imputada como justiça, ou seja, a fé de Abraão foi considerada como justiça. Da mesma forma a justiça do homem Jesus, sua vida santa, é imputada a todo aquele que nele crê. Sua justiça é creditada em nossa "conta" que estava "negativa" por causa da dívida do pecado. Assim, nossa débito é pago e ficamos em paz com Deus, a quem jamais poderíamos pagar. Por isso, a salvação é o "dom gratuito de Deus" (Rm.6.23). Sendo gratuito, não faz sentido nenhum tipo de pagamento que se pretenda estabelecer para a obtenção do perdão divino. A gratuidade da salvação não significa que ela não tenha um preço, mas indica que esse preço já foi satisfatoriamente pago através do sangue do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
"Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm.5.20). Tamanha graça divina poderia ser erroneamente interpretada como licença para o pecado. "Permaneceremos no pecado para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rm.6.1-2).
A obra de Deus na vida do crente não se resume à justificação. Podemos comparar a justificação à saída dos israelitas do Egito. Esta é uma ilustração excelente para a salvação. Porém, após retirar o povo do Egito, Deus precisava tirar o Egito do coração do povo israelita. Foi o processo do deserto, o qual nós podemos comparar com a santificação do salvo. Este consiste na formação do caráter de Cristo em nós. É uma parte essencial do que costumamos chamar de "crescimento espiritual". Pela justificação, Deus perdoou todos os nossos pecados passados. Pela santificação, vamos nos livrando dos hábitos pecaminosos. Embora muitos possam alegar que tudo isso acontece instantaneamente quando se aceita a Jesus, a realidade nos mostra o contrário. O próprio Paulo demonstra esse conflito quando diz: "não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço." (Rm.7.19). Qual seria o escape para esse dilema prático? A operação do Espírito Santo na vida do crente em junção com a vontade humana e o exercício pessoal da obediência. "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito." (Rm.8.1). Nesse processo, entra, de forma determinante, a Palavra de Deus. O Espírito Santo opera em nós na medida em que conhecemos a Palavra de Deus e procuramos aplicá-la (Rm.10.17; Ef.5.26). Santificar é "separar". Santificação é a separação do salvo de tudo aquilo que não condiz com sua nova condição espiritual. Lembremo-nos do relato da ressurreição de Lázaro. Estando já ressuscitado, ele ainda se encontrava imobilizado por muitas ataduras mortuárias. Era um vivo com cara de morto, cheiro de morto, aspecto de morto. Era preciso que tudo aquilo fosse removido. A santificação dos crentes é uma das principais funções do Espírito Santo no mundo. É a preparação da noiva, a igreja, para o seu encontro com o noivo, Jesus.
V - A soberania divina – 9 a 11
Judeus e gentios no plano de Deus.
Nessa parte da epístola, o apóstolo Paulo se dedica a mostrar aos Romanos o valor dos judeus e sua posição no plano de salvação. Se os romanos não valorizassem os judeus e não reconhecessem neles a origem da revelação divina, como poderiam valorizar a pessoa de Jesus? Mesmo nós, hoje, aceitamos o cristianismo porque entendemos que "a salvação vem dos judeus" (João 4.22). Esse destaque para Israel parecia incompatível com a rejeição que os próprios judeus demonstraram à pessoa de Cristo. Paulo então, expõe alguns detalhes históricos do povo de Deus, sua incredulidade, sua desobediência e seu distanciamento do evangelho. Dizer que Israel era o povo escolhido de Deus poderia soar muito estranho para os romanos. Paulo demostra enfaticamente que Deus é soberano. Ele escolhe a quem quer e rejeita a quem quer. Logo, se Deus escolheu Israel, não se deve questioná-lo por isso. Deus tem razões anteriores às suas soberanas decisões. Sua presciência, conhecimento antecipado, faz com que as evidências das suas escolhas apareçam antes dos fatos que lhes deram causa. Então, a situação pode ter aparência de injustiça aos olhos humanos. Antes que Jacó e Esaú nascessem, Deus disse: "Amei a Jacó e aborreci a Esaú." (Rm.9.11-13). Então, Jacó já nasceu como escolhido de Deus, enquanto que Esaú nasceu rejeitado, mas tudo isso porque Deus já via qual seria, no futuro, a decisão de cada um daqueles meninos diante do plano divino. Deus, em sua presciência, sabia que o "enganador" se converteria e que o primogênito desprezaria sua primogenitura. Contudo, tais atitudes não foram determinadas por Deus, mas por eles mesmos.
O conceito de soberania poderia nos levar a pensar que abaixo de Deus, apenas a sua vontade é feita. Mas não é assim. A soberania divina significa que acima dele não existe mais ninguém. Abaixo dele, nem todos obedecem à sua vontade. Contudo, até a desobediência se encontra debaixo da soberania. Os homens desobedecem porque Deus lhes deu um limitado campo de ação onde a vontade humana prevalece.
Quando pensamos em soberania divina, eleição e predestinação, podemos pensar que toda a história e o destino humano dependem única e exclusivamente de Deus que, por sua absoluta decisão, escolheu quem haveria de se salvar e quem haveria de se perder, independentemente de qualquer ato ou vontade dos seres humanos. Esta posição é defendida por muitos teólogos. A outra maneira de se entender tudo isso é através da consideração da presciência de Deus como base da eleição e da predestinação. Assim, Deus elegeu e predestinou as pessoas porque já sabia antecipadamente qual seria a decisão de cada uma delas em relação à pessoa de Jesus Cristo. Como disse Pedro, somos "eleitos segundo a presciência de Deus" (I Pd.1.2). E voltando a Romanos, "os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho Jesus..." (Rm.8.29). Antes da predestinação existe um conhecimento. Esta é a presciência de Deus a respeito das decisões humanas no uso de seu livre-arbítrio.
A soberania divina não anula a liberdade humana. Paulo mostra que podemos escolher. Ele diz: "Não sabeis vós que a quem vos oferecerdes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" (Rm.6.16). "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm.12.1). Nesses textos, observamos a vontade humana em ativa participação no destino espiritual de cada um.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
A transformação operada pelo evangelho na vida humana deve ter dois aspectos: a pessoa deve deixar de fazer o mal e começar a fazer o bem (Is.1.16-17). A justificação é quase um sinônimo de perdão. A santificação seria o "deixar de fazer o mal". É o abandono de práticas pecaminosas. Contudo, o processo de ação do evangelho ainda não está concluído. Deixamos de fazer as coisas erradas e agora precisamos começar a fazer as coisas certas. Deixamos de servir ao Diabo e precisamos servir a Deus ativamente. Libertos do pecado, tornamo-nos servos da justiça (Rm.6.18). Os mandamentos divinos se dividem em proibições e ordens. São mandamentos negativos e positivos. Os negativos são aqueles que começam com o advérbio "não" e nos mostram os atos e atitudes que devem ser abandonados: "Não matarás", "Não adulterarás", etc. (Rm.13.9-10). Os mandamentos positivos são aqueles que nos ordenam à ação. Por exemplo, "honra teu pai e tua mãe." No desenvolvimento da vida cristã, temos a fase que podemos comparar `a limpeza de um terreno. Talvez haja alguma construção a ser demolida, algum lixo a ser removido, etc. Depois, deve vir a fase de edificação de acordo com o novo propósito. Por isso Paulo nos admoesta a apresentarmos os nossos corpos para o trabalho cristão. Entendemos assim pela análise do conteúdo do capítulo 12. O cristianismo não se resume em espiritualidade, mas em ação. As obras não salvam, mas o salvo pratica boas obras.
Paulo nos convida ao serviço cristão. O apóstolo usa sempre os conceitos de servo e senhor, figuras tão presentes na organização social do Império Romano. Ele mesmo fora chamado para ser apóstolo. Sua vocação não era apenas para a salvação, mas para o serviço sagrado. Somos convidados a apresentar os nossos corpos (12.1) para o serviço no corpo de Cristo (12.5). Orar é bom e necessário, mas não é tudo. É preciso ação na igreja através dos dons espirituais e dos ministérios.
A igreja não é o único campo de ação do cristão nem deve ser um esconderijo ou lugar de alienação. Precisamos enxergar além dos limites do nosso grupo de irmãos, não para lançar mão das imundícies do mundo mas para desempenharmos nele o nosso papel como bons cidadãos e agentes do bem. Por isso Paulo insere a questão da sujeição às autoridades, o pagamento dos impostos e de toda dívida (Rm.13.1,6,7,8). Deve haver coerência entre nossa ação na igreja e no mundo. Quando Jesus perguntou: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?", ele só obteve respostas positivas, embora nem todas estivessem corretas. E quais serão as respostas se fizermos a mesma pergunta a respeito de cada um de nós? O que as pessoas dizem a nosso respeito? Que "títulos" receberemos delas? Ainda que os títulos não tenham grande valor, se forem negativos podem ter grande peso contra o evangelho e contra o nome de Jesus.
Além das relações a nível social ou institucional, temos relações pessoais diversas. Depois de termos consciência do nosso papel na igreja e na sociedade, precisamos ter bem em mente alguns princípios que irão reger nossos relacionamentos individuais. Então, Paulo chega ao nível do tratamento com "o próximo". O evangelho deverá reger tudo isso.
V – Conclusão – 15.14 a 16.27
Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.



Em caso de utilização impressa do presente material, favor mencionar o nome do autor:
Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.






BIBLIOGRAFIA
SÁNCHEZ, Tomás Parra, Os Tempos de Jesus - Ed. Paulinas.
GONZÁLEZ, Justo L., Uma História Ilustrada do Cristianismo - Volume 1 - Ed. Vida Nova.
PACKER, J.I., TENNEY, Merril C., WHITE JR., William, O Mundo do Novo Testamento - Ed. Vida.
TURNER, Donald D., Introdução do Novo Testamento - Imprensa Batista Regular.
CULLMANN, Oscar, A Formação do Novo Testamento - Ed. Sinodal.
GIBERT, Pierre, Como a Bíblia Foi Escrita - Ed. Paulinas.
ELWELL, Walter A. , Manual Bíblico do Estudante - CPAD.
HOUSE, H. Wayne, O Novo Testamento em Quadros - Ed. Vida
JOSEFO, Flávio, A História dos Judeus - CPAD
DOUGLAS, J.D., O Novo Dicionário da Bíblia – Ed. Vida Nova
Apostila do SEBEMGE – Pastor Delmo Gonçalves
Bíblia de Referência Thompson - Tradução de João Ferreira de Almeida - Versão Contemporânea - Ed. Vida





Biblia Sagrada - Paulo em Atenas

Paulo em Atenas
Uma das passagens mais conhecidas da história da Igreja, relatada por Lucas no Livro dos Atos dos Apóstolos, é o discurso de Paulo em Atenas. Diante de um grupo de filósofos gregos, reunidos no Areópago (o tribunal de Atenas que funcionava na colina de Marte e tratava de legislação, religião e educação), o apóstolo fez, em seu discurso, referencia a um certo altar, dentre muitos na cidade, no qual jazia a inscrição AO DEUS DESCONHECIDO. Paulo disse a eles: Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo é o que eu vos anuncio (At 17.23b).
O altar em questão possuía uma história interessante, a qual tanto Paulo quanto seus ouvintes conheciam bem. Conta-se que Epimênides (poeta do século 6 a.C., que vivia na ilha grega de Creta) fora convocado a Atenas quando os habitantes da cidade estavam sendo assolados por uma terrível peste. O Oráculo de Delfos (entidade a quem os antigos gregos recorriam para orientação) informara que havia um deus ao qual os atenienses não estariam agradando, e Epimênides saberia o que fazer.
O poeta cretense mandou que fossem construídos vários altares ali mesmo, naquela colina, e muitos sacrifícios de ovelhas ao deus desconhecido. A praga cessou, e, com o tempo, esses altares foram derrubados. Restou apenas um que lembrava aos cidadãos da cidade a existência desse deus.
Paulo estava convencido de que o deus de Epimênides era o próprio Deus, o Criador do Universo, e, naquele momento, diante dos sábios de Atenas, o apóstolo fez uma das mais claras e contundentes declarações contra a idolatria de toda a Bíblia: O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens. Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas (At 17.24,25).
Na imagem do alto da página, uma representação artística de Paulo em seu discurso diante de filósofos no Areópago; ao lado, foto da porta de entrada do tribunal
O Significado da Coroa
Os cristãos dos tempos do Novo Testamento estavam bem familiarizados com a prática esportiva, assim como com a premiação dos vencedores: uma coroa tecida com folhas de louro. Nos Jogos de Olímpia, os vencedores que tinham a honra de tê-las sobre a cabeça compartilhavam da glória dos deuses, a maior distinção que um ser humano podia atingir naquela sociedade. A cerimônia de premiação acontecia no último dia de competição, no mais alto patamar do templo de Zeus. A coroa era considerada sagrada, um sinal da bênção dos deuses sobre o laureado e um reconhecimento destes pelo empenho, dedicação e disciplina do atleta.
Por isso, Paulo exorta os crentes a viverem em santidade, abstendo-se das coisas da carne e refere-se de maneira direta à busca da glória humana: E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível (1 Co 9.25). O apóstolo compara os louros conferidos aos vencedores das competições terrenas - que, em pouco tempo, estariam secos - ao prêmio muito mais glorioso reservado aos salvos por Cristo, que durará por toda a eternidade.
Autor: Élidi Miranda (Colaboração de Paulo Cezar Soares)
Fonte: Revista Graça / Show da Fé, ano 4, nº 60 (www.ongrace.com)



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mensagens Diersas - Conselhos de um velho apóstolo

Conselhos de um velho apóstolo
“Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” (II Timóteo 4.6-10)

Essas são as palavras de um ancião, de um homem experiente quanto às coisas da vida. Mas não somente isso: essas também são as palavras de alguém que está chegando ao fim de sua vida. Falando sobre esse momento único da existência humana e de sua própria experiência de vida, esse ancião, Paulo, decide enviar alguns conselhos ao seu jovem amigo Timóteo.

Paulo afirma: “Não vamos viver para sempre”. Ele afirma isso, ao dizer: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado.” Paulo, ao escrever essas palavras, estava preso na cidade de Roma, esperando para ser julgado pelo imperador depois de ter passado por todas as instâncias de julgamento e percorrido todos os caminhos jurídicos possíveis. Ele reconheceu que não havia mais possibilidades de apelação; assim, percebeu que o seu tempo de vida estava chegando ao fim.

Por isso, aconselhou a Timóteo: “Esforce-se para o melhor”. Isso ficou explícito em suas palavras: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” Paulo conclama Timóteo a olhar para sua vida, a fim de se lembrar de que ela não foi fácil. Em outras palavras, é como se Paulo dissesse: “Olhe para mim, lembre-se da minha vida! Eu não vivi de qualquer maneira! Eu me esforcei, lutei e alcancei o alvo! Eu venci!” Não podemos pensar que a vida é um “mar de rosas”. A vida é um lugar de lutas, de batalhas, de esforços e de conquistas. Certamente todos nós vamos nos deparar com ocasiões que tentarão nos desanimar de seguir adiante. Contudo, devemos sempre nos esforçar para atingir os nossos alvos e jamais desistir no meio do caminho.

“Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia, e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” Com isso, Paulo quis dizer a Timóteo: “No fim, existe uma recompensa”. Ele afirma que o seu esforço não foi em vão, que suas conquistas não foram meramente pessoais ou superficiais. Verdadeiramente, existe uma recompensa para todos aqueles que lutam a batalha do Senhor e que obtêm a vitória.

Você tem passado por lutas? Sua vida parece extremamente turbulenta? Você não consegue enxergar qualquer indício de vitória ou recompensa? Bem, tudo depende de sua perseverança. E creia: a vitória e a recompensa virão. Não será uma recompensa com valores terrenos, mas celestiais; não será passageira, mas eterna.


Mensagens Diversas - Como Elaborar Esboços e Sermões

Como Elaborar Esboços e Sermões

 Os esboços de pregação não têm uma forma rígida. Podem variar muito, mas aqui vão algumas dicas que podem servir como base para sua elaboração. A estrutura do esboço é a mesma estrutura da pregação. O esboço será então um roteiro para o pregador não se perder durante a pregação, ou mesmo para não se esquecer dos pontos mais importantes da mensagem. Em outras palavras, é um mapa com alguns pontos de referência. Em resumo, o esboço PODERÁ ter: 1- Tema da mensagem 2- Texto base 3- Introdução 4- Tópico 1 5- Tópico 2 6- Tópico 3 - Ilustração (?) 7- Conclusão Vamos analisar cada parte. Tema da mensagem - É o titulo do assunto a ser tratado, ou o nome da mensagem. Em alguns casos a gente fala o titulo na hora da pregação, outras vezes não é necessário. Mas, no esboço a gente coloca. É bom para se ter um rumo determinado na mensagem e também facilitar depois a escolha de um esboço entre muitos que a gente tem guardado. Quem vai pregar deve ter claro o assunto que vai ser tratado. Não basta escolher um versículo e subir ao púlpito. Isso pode ate acontecer, e Deus pode usar, mas não deve ser a regra. Pode ser que o pregador comece a falar sobre um assunto e dali mude para outro e para outro, e, no fim, não passou nada de consistente. Então, vamos escolher um tema definido. Por exemplo: "A vinda de Cristo ao mundo" é o titulo de uma mensagem evangelística. Texto base: Toda pregação precisa ter um texto bíblico como base. Este é o fundamento que vai dar autoridade a toda a mensagem. Normalmente, o texto é pequeno: 1 versículo ou 2, ou 3. Raramente se deve utilizar um capitulo todo. Só quando o capitulo estiver todo relacionado ao mesmo assunto. Se eu for falar sobre a oração do Pai Nosso, não preciso ler todo o capitulo 6 de Mateus. No caso do nosso exemplo (A vinda de Cristo ao mundo), usaremos o texto de I Timóteo 1.15: "Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." Introdução: É o início da pregação. Existem inúmeras maneiras de se começar uma pregação. Por exemplo: "Nesta noite, eu gostaria de compartilhar com os irmãos a respeito do assunto tal..." ou "No texto que acabamos de ler, temos as palavras de Paulo a respeito da vinda de Cristo ao mundo." Para muitas pessoas, a primeira frase é a mais difícil. Apesar de muitas alternativas, o ideal é que a introdução seja algo que prenda logo a atenção dos ouvintes, despertando-lhes o interesse para todo o restante da mensagem. Pode-se então começar com uma ilustração, um relato interessante sobre algo que esteja relacionado com o assunto da pregação. Um outro recurso muito bom é começar com uma pergunta para o auditório, cuja resposta será dada pelo pregador durante a mensagem. Se for uma pergunta interessante, a atenção do povo esta garantida até o final da palestra. Voltando ao nosso exemplo, poderíamos começar a mensagem perguntando: "Você sabe para que Jesus veio ao mundo? Nossa mensagem desta noite pretende responder a essa pergunta tão importante para todos nós." Tópicos - Os tópicos são as divisões lógicas do assunto, ou a divisão mais lógica possível. Por exemplo, se o titulo da minha mensagem for "O Maior Problema da Humanidade", eu poderia ter os seguintes tópicos: 1- a corrupção da humanidade; 2 - as conseqüências do pecado; 3 - a solução divina para o homem. A divisão em três tópicos é aconselhável por ser um numero pequeno, de modo que o povo tenha facilidade de acompanhar o raciocínio do pregador, sem perder o fio da meada. Podemos ate mudar esse numero, mas o resultado pode ser uma mensagem complexa. Os tópicos devem ser organizados numa ordem que demonstre o desenvolvimento natural do tema, de modo que os ouvintes vão sendo levados a compreender gradualmente o assunto até a conclusão. Em algumas mensagens, os tópicos podem ser argumentos a favor de uma idéia que se quer defender com o sermão. Será bom se eles estiverem organizados de maneira que os mais interessantes ou mais importantes sejam deixados por ultimo, de modo que, a mensagem vai se tornando cada vez mais significativa, mais consistente e mais interessante a cada momento ate chegar à conclusão. Se você usar seu melhor argumento logo no inicio, sua mensagem ficara fraca no final. Em alguns casos, o próprio texto bíblico já tem sua própria divisão, que usaremos para formar nossos tópicos. O texto de I Timóteo 1.15 é assim. Dele tiramos os seguintes tópicos: 1 - Jesus veio ao mundo - Falar sobre a aceitação geral da vinda de Jesus. Todos crêem que ele veio. 2 - Para salvar os pecadores - Falar sobre diversas idéias que as pessoas tem sobre o objetivo da vinda de Cristo, e qual foi sua real missão. 3 - Dos quais eu sou o principal - Falar sobre a importância do reconhecimento do pecador para que a obra de Cristo tenha eficácia em sua vida. Um outro exemplo de divisão natural é João 3.16: 1 - Deus amou o mundo. Falar sobre o amor de forma geral e sobre o amor de Deus. 2 - Deu o seu Filho Unigênito - O amor de Deus em ação. Deus não ficou na teoria. 3 - Para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna - O objetivo da ação de Deus. Esse versículo é riquíssimo. Podemos elaborar varias mensagens dentro dele. É importante prestarmos atenção a esse detalhe. Se, de repente, tivermos um entendimento muito profundo de um versículo, é melhor que elaborar mais de um sermão, do que tentar colocar tudo em um só, fazendo um sermão muito longo ou complexo, principalmente quando o texto permitir vários ângulos de abordagem, ou contiver mais de um assunto. Uma duração ideal para um sermão é trinta minutos. Quarenta, só em casos especiais. Já um estudo bíblico pode durar uma hora. Logicamente, o Espirito Santo pode quebrar esses limites, mas creio que ele não faz isso com freqüência. Ilustrações - Ilustrações são ditados, provérbios (não necessariamente os de Salomão) ou pequenas histórias que exemplificam o assunto da mensagem ou reforçam sua importância. Como alguém já disse, as ilustrações são as "janelas" do sermão. Por elas entra a luz, que faz com que a mensagem se torne mais clara, mais compreensível. Muitas vezes, os argumentos que usamos podem ser difíceis, ou obscuros, mas, quando colocamos uma ilustração, tudo se torna mais fácil para o ouvinte. Existem muitas historinhas por aí que não aconteceram de fato e são usadas para ilustrar mensagens. Não há problema em usá-las. Podem ser comparadas às parábolas bíblicas. Entretanto, é importante que o pregador diga que aquilo é apenas uma ilustração. As ilustrações são muito importantes, porque despertam o interesse dos ouvintes, eliminam as distrações e ficam gravadas na memória. Pode ser que, na segunda-feira, os irmãos não se lembrem de muita coisa do sermão de domingo, mas será bem mais fácil lembrar das ilustrações, dos casos contados como exemplo, e, juntamente com essa lembrança, será também lembrado um importante ensinamento. No exemplo da mensagem de I Timóteo, poderíamos usar uma ilustração no tópico 3, mencionando que um doente precisa reconhecer sua doença para ser curado, ou contando um curta historia sobre um doente que reconheceu ou não sua doença. Não é obrigatório o uso de ilustrações no sermão. Se não tiver nenhuma, paciência. Às vezes, os próprios relatos bíblicos já ilustram muito bem os assuntos que abordamos. Outro detalhe a se observar: não é bom usar muitas ilustrações na mesma mensagem, pois a mesma perderia sua consistência e seria mais uma coleção de contos. Como dissemos, ilustração é luz, e luz demais pode ofuscar a visão. Conclusão - A conclusão será o ápice da mensagem, o fechamento. Não basta fazer como aquele pregador que disse: "Pronto! Terminei." A conclusão é a idéia ou conjunto de idéias construídas a partir dos argumentos apresentados no decorrer da mensagem. Nesse momento pode-se fazer uma rápida citação dos tópicos, dando-lhes uma "amarração" final. Nessa parte, normalmente se convida para o posicionamento dos ouvintes em relação ao tema. Ainda não é o apelo. O pregador incentiva as pessoas a tomarem determinada decisão em relação ao assunto pregado. Depois desse incentivo, dessa proposta, o assunto está encerrado e pode-se fazer o apelo, se for o caso, e/ou uma oração final. No caso do nosso exemplo (A vinda de Cristo ao mundo), poderíamos concluir convidando os ouvintes a reconhecerem sua condição de pecadores, para que o objetivo da primeira vinda de Cristo se concretize na vida de cada um. Para fechar bem podemos encerrar dizendo que Cristo vira outra vez a este mundo para buscar aqueles que tiverem se rendido ao evangelho. O esboço deve ser o menor possível. Pode-se, por exemplo, usar uma frase para cada parte. Pode haver determinado tópico representado por uma única palavra. O esboço é o "esqueleto" da mensagem. Coloca-se o que for suficiente para lembrar ao pregador o conteúdo de cada divisão. Se uma palavra ou uma frase não forem suficientes, pode-se colocar mais, mas com o cuidado de não se elaborar um esboço muito grande, de modo que o pregador poderia ficar perdido no próprio esboço na hora de pregar. Então, o recurso que deveria ser útil torna-se um problema. Opcionalmente, o pregador pode fazer o esboço, bem pequeno e, em outro papel, fazer um resumo da mensagem. No púlpito, só o esboço será usado. O destino do resumo será o arquivamento. Em outra ocasião, quando o pregador for usar o mesmo sermão, o resumo será muito útil. Se ele tiver guardado apenas um esboço muito curto, este poderá não ser suficiente para lembra-lo de todo o conteúdo de sua mensagem. Eis aqui o esboço que construímos durante essa explicação: ---------------------------------------------------------------------------- Introdução : Você sabe para quê Jesus Cristo veio ao mundo? Tópico 1 - "Jesus veio ao mundo" - Falar sobre a aceitação geral da vinda de Jesus. Todos crêem que ele veio (ate os ímpios). Tópico 2 - "Para salvar os pecadores" - Falar sobre diversas idéias que as pessoas tem sobre o objetivo da vinda de Cristo. Fundar uma religião? Dar um golpe de estado? Ensinar uma nova filosofia de vida? Qual foi sua real missão? Salvar os pecadores. Tópico 3 - "Dos quais eu sou o principal" - Falar sobre a importância do reconhecimento do pecador para que a obra de Cristo tenha eficácia em sua vida. Ilustração: O doente precisa reconhecer sua doença. Conclusão : Uma idéia clara sobre o objetivo da vinda de Cristo. Um reconhecimento pessoal da condição de pecado. Aceitação de Cristo como Salvador. ---------------------------------------------------------------------------- Você poderá ler um pouco mais sobre essa mensagem de I Timóteo 1.15 no artigo denominado "O Sentido do Natal". Veja que o titulo da mensagem pode se mudado de acordo com a ocasião e a necessidade, mas o conteúdo é o mesmo. Bons estudos e boas mensagens!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mensagens Diversas - E a família, vai bem?

E a família, vai bem? Introdução: No texto acima encontramos uma das famílias mais desequilibradas citadas na bíblia. A ironia, porém, é que essa é a família de um dos homens mais piedosos do Antigo Testamento – o rei Davi. Davi é descrito como um homem segundo o coração de Deus (Salmo 89.20 e Atos 13.22), isso, porém, não evitou que cometesse erros sérios – erros esses que vieram com a conquista do poder. Em seu orgulho e cegueira espiritual, ele tomou uma mulher que não era sua e mandou matar seu marido. Quando esse pecado foi exposto, causou um impacto desastroso em sua família. Seu filho Amnon imitou o comportamento do pai e acabou por violentar sua meia-irmã – Tamar, irmã de Absalão. Davi ficou indignado mas não tomou qualquer atitude com relação a Amnon. Como conseqüência Absalão tornou-se cada vez mais amargurado e rebelou-se contra o pai. Davi não foi um bom modelo para seus filhos. Sua maneira de se relacionar com seus filhos é refletida em sua atitude com relação a Adonias, outro filho rebelde: "Jamais seu pai o contrariou, dizendo: Por que procedes assim?" (I Reis 1.6). Sua fraqueza como pai gerou grande dor para a família. Absalão, vendo que o pai nada fizera com relação a Amnon, decidiu fazer justiça com as próprias mãos, matando Amnon. A família ficou irremediavelmente dividida e ferida. A história da família de Davi é apenas um exemplo. As feridas presentes nas famílias nos dias de hoje são tão reais e, possivelmente, tão complexas quanto aquelas. Feridas acontecem em todas as famílias. Acontecem como conseqüência de questões tais como poder e controle, diferença de personalidades, finanças, maneiras diferentes de educar os filhos, insegurança, competição, sentimentos mal entendidos, necessidades não satisfeitas, abuso, infidelidade, etc. Mas se é verdade que feridas acontecem, é também verdade que a cura pode acontecer. A cura, porém não acontece ignorando o problema ou fingindo que ele não existe. A cura é sempre conseqüência da disposição de encarar o problema e sermos honesto conosco mesmos com relação ao problema que estamos vivenciando. Para iniciarmos a discussão da cura das feridas em família, seria bom perguntarmos: "Quais são os passos na cura do nosso relacionamento com Deus?" Creio que primeiramente deve haver confissão honesta. Em segundo lugar deve haver disposição para abandonar o comportamento errado e, em terceiro lugar, precisamos abrir nosso coração para a presença de Deus. Os mesmos passos são necessários no nosso relacionamento em família. O plano de Deus para restaurar nosso relacionamento com ele é o padrão para curar e restaurar nosso relacionamento com as outras pessoas. Então, para que haja cura dos relacionamentos em nossos lares, são necessárias pelo menos três atitudes: 1. É necessário que haja confissão honesta: Se desejamos a cura, não podemos continuar empurrando os problemas para "debaixo do tapete". Não podemos continuar "culpando a outra pessoa" pelo resto da vida. Não podemos ficar esperando que a outra pessoa "esqueça o que aconteceu" para que não tenhamos que nos desculpar. Se estamos errados precisamos ter a coragem e a maturidade de admitir. Podemos agir como Davi e insistir que temos o direito de fazer as coisas como fazemos, ou podemos encarar nossas enfermidades e sermos curados. Lembra-se da pergunta que Jesus fez ao paralítico à beira do tanque de Betesda? A pergunta de Jesus, a princípio, parece sem sentido: Queres ser curado? (João 5.6). Mas Jesus continua fazendo a mesma pergunta a nós hoje: Você deseja ser curado ou deseja continuar a viver uma vida emocionalmente confusa, simplesmente porque tem medo das mudanças que acontecerão quando você for curado? Você quer ser curado ou quer ter razão em todas as questões? Se não podemos admitir que às vezes estamos equivocados, então não existe qualquer esperança de cura. Se não podemos ser honestos com relação às nossas enfermidades relacionais, seja por orgulho ou por medo, então não existe esperança de cura. Precisamos admitir que muitas vezes falhamos conosco mesmos, com Deus e com as pessoas, gerando machucaduras. Precisamos admitir... e pedir perdão! 2. É necessário que haja disposição para abandonar a atitude que machuca: Em termos bíblicos, isso é arrependimento. Assim como abandonamos as coisas que dificultam nosso relacionamento com Deus, precisamos abandonar também aquilo que dificulta nosso relacionamento com nosso cônjuge ou com nossos filhos e filhas. Continuar a fazer algo que sabemos que fere outra pessoa não é apenas errado, é cruel! Às vezes grande animosidade pode nascer a partir de algo aparentemente trivial. Às vezes nem lembramos mais a razão original da animosidade, mas a hostilidade continua presente no relacionamento. Algo tão pequeno tornou-se grande, ou vários pequenos detalhes foram sendo acumulados gerando uma situação insuportável. É necessário que haja reconhecimento e arrependimento. Não podemos permitir que nosso orgulho nos impeça de fazer o que for necessário para trazer cura ao nosso lar. Precisamos abandonar a atitude que machuca. Outro dia, vi um "pardal kamikaze". Aquele pequeno pardal voou diretamente contra o vidro da janela. O vidro era transparente e, aparentemente o pardal estava convencido de que conseguiria atravessa-lo. Eu pensei que a dor da primeira tentativa o convenceria a não mais tentar. Entretanto, poro um bom tempo ele deu continuidade àquele comportamento autodestrutivo, obviamente colhendo o mesmo resultado: frustração e dor. A lição que aprendi com o "pardal kamikase" é que se eu continuo a agir da mesma maneira estúpida, continuarei colhendo os mesmos resultados estúpidos. Se desejo que a dor seja aliviada e que a ferida seja curada, preciso abandonar a atitude que me fere e fere as outras pessoas. Não precisamos nem desejamos uma família machucada e sangrando. Assim, "se possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens..." Rm 12.18. 3. É necessário que haja lugar para a outra pessoa em nosso coração: Às vezes criamos uma tal barreira contra a outra pessoa que ela não tem qualquer chance de se reconciliar conosco. Distorcemos, "demonizamos" e decidimos ignorar para sempre a outra pessoa. A cura dos relacionamentos em nosso lar envolve confissão honesta, disposição para abandonar a atitude que machuca e, finalmente, um coração aberto para a outra pessoa. Isso é perdão! "sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou!" Efésios 4.32. A realidade é que quando um conflito é resolvido, a intimidade, de fato, aumenta entre as pessoas envolvidas. Conflitos não resolvidos separa as pessoas, mas quando é encarado e tratado com honestidade, o resultado é a aproximação. Conclusão: Para mim, um texto fundamental para compreensão da fé cristã é II Coríntios 5.19: "a saber, que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação". Gosto desse texto porque, em primeiro lugar, mostra o que Deus fez, em Cristo, por nós. Ele mostrou que há lugar para nós em seu coração. Ele permitiu a reaproximação. Ele não é contra nós. Ele está "de bem" conosco. Em segundo lugar, o texto mostra a nossa responsabilidade: "... e nos confiou a palavra da reconciliação". Nosso ministério maior é o testemunho da palavra da reconciliação. Essa é a essência do evangelho. A reconciliação com Deus através de Jesus Cristo nos capacita a sermos instrumentos de reconciliação onde estivermos, em especial no seio da nossa família.